quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

Beato Aimar de Cluny (Aymardus de Cluny) – (910 [942-954] 965)

O Beato Aimar foi o terceiro abade do Mosteiro de Cluny, sucedendo São Odão e antecedendo São Maiolo. Nasceu no final do século IX ou início do século X, ao que tudo indica, em 910, provavelmente em uma família nobre da região da Borgonha, na França, nas imediações de Cluny. 

 

Em que pese saber-se muito pouco sobre sua vida, ao que parece, entrou muito cedo para a vida monástica, seguindo o modelo da Regra de São Bento, que Cluny havia restaurado. Intui-se que, Aimar tenha sido designado coadjutor por São Odão (878-942), segundo abade de Cluny, durante os últimos anos de sua vida – dado que as exigências demandavam que passasse grande parte do tempo na Itália.

 

Embora tenha sido formalmente eleito apenas em 942 (curiosamente, não foi a primeira escolha dos monges), após a morte de São Odão, seu nome já aparece como abade em uma carta de 938. Diz-se que Aimar tenha sido escolhido por sua humildade, e uma lenda do século XI narra que, no dia de sua eleição, ele entrou no mosteiro conduzindo um cavalo carregado de peixes, o que teria impressionado os monges e influenciado sua escolha.

 

Aimar não foi tão famoso quanto os outros abades de Cluny. Ainda assim, como eles, empenhou-se vigorosamente na observância da disciplina regular. Especula-se que, talvez, o governo de São Odão tenha negligenciado em alguma medida os interesses materiais da abadia, embora inegavelmente tenha contribuído para o seu renome espiritual. Nesse aspecto, os talentos práticos de administração e de organização de Aimar apareceram, especialmente porque após a morte de São Odão a abadia recebeu muitos presentes de terras.

 

Aimar liderou Cluny até 954, quando renuncia em razão de ter sido tomado pela cegueira e ter outros problemas de saúde, passando os anos seguintes, humildemente, como um simples monge. Exortou, a essa altura, tendo São Maiolo (906-994) em mente, que seus monges que escolhessem um pai que os guiassem no caminho de Deus, e, como uma coluna de luz na noite da ofensa, dirija seus passos, pois se um navio sem leme não pode chegar ao porto, suas almas também não podem chegar aos Céu sem um piloto.

 

O governo de Aimar desempenhou um papel importante na continuidade do movimento monástico reformador iniciado em Cluny, mantendo o rigor monástico, assegurando que os monges vivessem segundo os princípios de oração, trabalho e disciplina comunitária, e promovendo a estabilidade institucional, através do fortalecimento dos laços e da coesão entre os mosteiros que seguiam os ideais cluniacenses.

 

O Beato Aimar morreu em 965, e é venerado como exemplo de virtude monástica e compromisso com a reforma espiritual. Sua memória litúrgica é celebrada em 05/10.

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