domingo, 26 de maio de 2024

Os Primeiros Santos Abades de Cluny


1.   São Berno de Cluny (ou Berno de Baume) – [909 - 927]

§ Juntamente com o duque Guilherme I de Aquitânia, em 909, São Berno de Cluny (850-927) foi o fundador e o primeiro abade da ordem de Cluny e, assim, foi o iniciador das reformas cluníacas na vida monacal na Europa – que se colocam no lastro da renovação da vida monástica como herança de São Bento de Núrsia (480-547) e a fundação do Mosteiro de Monte Cassino, no século V, bem como das reformas, no Império Carolíngio, realizadas por São Bento de Aniane (747-821) para recuperar o espírito da Regra Beneditina. Sobre sua vida, sabe-se que Berno nasceu por volta de 850, no seio de uma família nobre da Borgonha, e faleceu em 13 de janeiro de 927. Inicialmente, foi monge na abadia de São Martinho, em Autun, e, depois, na Abadia de Baume, em 886, da qual foi abade. Em 890, funda o monastério de Gigny. Em 909, Guilherme I de Aquitânia, em virtude da fama e das qualidades religiosas, convida-o e o nomeia para ser o abade do monastério de Cluny. Permanece como abade até 925, quando renunciou a posição em favor de seu discípulo, São Odão de Cluny (878-942), e de seu parente Wido, que ficara responsável pelas demais abadias. No leito de morte, exortou os seus monges a serem fiéis à regra beneditino. São Berno de Cluny está no epicentro de uma renovação monacal que irá marcar a vida religiosa européia ao longo dos séculos X e XI. Sua memória é celebrada em 13/01.

 

2.   São Odão de Cluny (ou Odo/Odón de Cluny) – [927 - 942]

§  Foi o segundo abade da ordem de Cluny, como sucessor de São Berno de Cluny. Segundo o que se sabe, Odão nasceu numa família nobre na Aquitânia, em 878. Em princípio, foi educado como clérigo secular e, posteriormente, fascinado pela Regra de São Bento, decidiu ingressar na vida monástica. Sob sua direção, Cluny consolidou-se como um modelo de disciplina monástica, no espírito da reforma espiritual beneditina almejada pelos monges predecessores (especialmente, as de São Bento de Aniane). Nesse sentido, reforçou a aplicação estrita da Regra de São Bento, enfatizando a oração litúrgica e a vida comunitária. Como consequência, Cluny começou a atrair numerosos mosteiros para sua esfera de influência, processo no qual Odão supervisionou a incorporação de outros mosteiros à rede cluniacense, assegurando que seguissem a Regra com rigor. Escreveu obras importantes, tais como Collationes (Conferências), que tratam da vida espiritual e ascética, e hinos e tratados teológicos, destacando a importância da liturgia e da música sacra. Faleceu em 942. Sua memória é celebrada em 18/11.

 

3.   Beato Aimar de Cluny (ou Aymardus de Cluny) – [942 - 954 (965)]

§ Foi o terceiro abade do Mosteiro de Cluny, sucedendo São Odão e antecedendo São Maiolo. Nasceu no final do século IX ou início do século X, provavelmente em uma família nobre da região da Borgonha, na França, nas imediações de Cluny. Ao que parece, entrou cedo para a vida monástica, seguindo o modelo da Regra de São Bento, que Cluny havia restaurado. Foi eleito abade em 942, após a morte de São Odão (878-942), e liderou Cluny até 954, quando renuncia em razão de ter sido tomado pela cegueira (vivendo os anos seguintes, humildemente, como um simples monge). Seu governo desempenhou um papel importante na continuidade do movimento monástico reformador iniciado em Cluny, mantendo o rigor monástico, assegurando que os monges vivessem segundo os princípios de oração, trabalho e disciplina comunitária, e promovendo a estabilidade institucional, através do fortalecimento dos laços e da coesão entre os mosteiros que seguiam os ideais cluniacenses. Morreu em 965, e é venerado como exemplo de virtude monástica e compromisso com a reforma espiritual. Sua memória litúrgica é celebrada em 05/10.

 

4.   São Maiolo de Cluny (ou Majolo/Mayeul de Cluny) – [954 - 994]

§ Nasceu por volta de 906, em Valensole, na Provença (atual França), no seio de uma família nobre. Recebeu uma educação refinada, estudando filosofia, teologia e gramática. Após completar seus estudos, Maiolo foi nomeado arquidiácono da Diocese de Mâcon, onde se destacou por sua piedade e inteligência. Contudo, desiludido com a vida eclesiástica secular, decidiu ingressar na vida monástica. Tornou-se monge em Cluny sob a liderança de Aimar. As qualidades pessoais de Maiolo não eram poucas, e, rapidamente, sua virtude e habilidades o levaram a uma condição de destaque junto a Aimar. Com a renúncia de Aimar em função da cegueira, Maiolo é eleito o quarto abade de Cluny, em 954. Sob seu governo, Cluny cresceu consideravelmente, de modo que ele foi um dos homens mais influentes de seu tempo – foi considerado para ser Papa, o que, evidentemente, não foi o caso por ter rejeitado a indicação. Maiolo foi um reformador enérgico, revitalizando mosteiros em toda a Europa, e levando os ideais cluniacenses a uma escala continental. Seu prestígio era tal que foi conselheiro de reis e imperadores (Otão I e Otão II, especialmente), contribuindo para a reforma da Igreja como um todo. Seu governo marcou uma significativa expansão de Cluny (incorporou mosteiros em várias regiões da Europa, como Itália, França e Alemanha), convertendo-o num centro de excelência espiritual e cultural. Seus múltiplos compromissos levaram-no a viajar extensivamente, promovendo a reforma monástica, e revitalizando as práticas dos mosteiros decadentes. Vale ter em conta que foi especialmente ativo na Itália, onde teve forte impacto na reorganização de comunidades monásticas. A figura é Maiolo é tão expressiva que ele é lembrado como um reformador da Igreja e do monasticismo, um modelo de abade-santo, um hábil administrador e grande diplomata e mediador dos conflitos entre a Igreja e o poder secular no cenário político da sua época. Faleceu em 11 de maio de 994, em Souvigny, onde está sepultado. É venerado como santo, sendo a sua festa litúrgica celebrada no dia 11 de maio.

 

5.   Santo Odilo de Cluny (ou Odilón/Odilão de Cluny) – [994 - 1049]

§  Nascido por volta de 962, na região de Auvergne, na França, no seio de uma família nobre, Odilo foi o quinto abade da ordem, sucedendo, em 994, a São Maiolo, e governando a abadia por cerca de 56 anos, até a sua morte. Inicialmente, antes de seu ingresso em Cluny, fora educado nas escolas monásticas. Possuidor de relativa cultura, seus trabalhos, em especial, as cartas e as instruções para a abadia, refletem uma preocupação com a reforma espiritual no lastro dos seus predecessores. Além disso, escreveu obras sobre liturgia e questões de disciplinar e observação da Regra beneditina para seus monges. Do ponto de vista da administração, deu continuidade ao trabalho de expansão de Cluny, aumentando a rede de mosteiros sob sua influência em toda a Europa. Entre as suas realizações, está aquela da instituição do dia de finados, em 02 de novembro, que rapidamente se tornou universal na Igreja, e a defesa da Pax Dei, um movimento que buscava limitar a violência feudal. Justamente por isso, foi também um hábil mediador entre os conflitos entre as autoridades eclesiásticas e as seculares – fato esse que fez com que viajasse significativamente. Odilo morreu em 01 de janeiro de 1049, e foi sepultado em Souvigny. Sua memória é celebrada em 04/01.

 

6.   São Hugo de Cluny (ou Hugo de Semur / Hugo, o Grande) – [1049 - 1109]

§ Hugo, o Grande, nasceu em 13 de maio de 1024, em Semur-en-Brionnais, em Borgonha, na França, no seio de uma família pertencente à nobreza. Seu pai era Dalmas I de Semur, um senhor feudal poderoso, e sua mãe, Aremburga, era conhecida por sua piedade. Desde jovem, demonstrou inclinação para a vida religiosa, e isso trouxe inicialmente alguns problemas, pois, sendo o filho mais velho de uma grande família, enfrentou conflitos com seu pai, que tinha planos militares para ele. Educado em um ambiente aristocrático, recebeu formação em teologia e literatura, o que o preparou para uma carreira eclesiástica. Após desentendimentos com o pai, Hugo foi enviado para um mosteiro para reconsiderar sua vocação, mas acabou confirmando seu chamado religioso. Hugo ingressou como monge na Abadia de Cluny por volta de 1040, ainda adolescente. De fato, sua piedade, inteligência e habilidade administrativa rapidamente fizeram que se destacasse. E foi de tal modo que, em 1049, com apenas 25 anos, não sem a desconfiança de alguns, foi eleito o sexto abade de Cluny, sucedendo a Santo Odilo (962-1049). Hugo logrou mostrar-se como um líder notável, e seu governo, à frente de Cluny, estendeu-se por mais de 60 anos. Com ele, a Ordem Cluny atingiu o seu ápice. Neste particular, Hugo (i) conduziu uma rede de cerca de 1.200 mosteiros afiliados em toda a Europa; (ii) supervisionou a construção da terceira igreja abacial de Cluny (Cluny III), consagrada em 1095 (a maior igreja da cristandade até a construção da Basílica de São Pedro, em Roma, e um marco arquitetônico que refletia o poder espiritual e cultural de Cluny); e, no lastro de seus predecessores, fortaleceu a disciplina monástica, assegurando que todos os mosteiros seguissem rigorosamente a Regra de São Bento. Hugo foi também, como alguns dos abades anteriores, muito requisitado pelas autoridades eclesiásticas e seculares de seu tempo, mostrando-se alguém com inúmeras habilidades políticas e diplomatas. Aqui, destacou-se como mediador de conflitos entre o papado e o império, tentando preservar a unidade da cristandade, e, ao mesmo tempo, como conselheiro próximo de papas (entre os quais, encontram-se Gregório VII, Urbano II e Pascoal II) e monarcas, incluindo Henrique IV do Sacro Império Romano-Germânico, e o rei da França, Felipe I. Hugo também foi uma figura central na reforma gregoriana, apoiando o Papa São Gregório VII (1020-1085) em suas tentativas de combater a simonia (compra e venda de cargos eclesiásticos) e o nicolaísmo (clérigos que viviam em concubinato ou casamento), e defendendo a Igreja na Questão das Investiduras, advogando em nome da autonomia do Poder Eclesiástico frente ao poder secular. Vale ter em conta que Hugo foi também muito próximo de líderes monásticos de seu tempo, merecendo destaque para a figura de São Bruno de Colônia (1030-1101), que foi o fundador da Ordem Cartuxa, uma das mais rígidas no que se refere à obediência à Regra de São Bento. Sobre seus escritos, ainda que não deixado uma obra teológica extensa, sua produção incluiu trabalho de grande valor para os cristão, e, em especial, para a Ordem: cartas (entre as quais há grande número de correspondência com papas, reis e líderes eclesiásticos, refletindo suas preocupações com a reforma da Igreja e o avanço do monasticismo); regras e instruções (que são textos administrativos e espirituais para orientar os mosteiros cluniacenses); e hinos e textos litúrgicos (composições litúrgicas para a vida monacal, contribuindo para a riqueza da espiritualidade cluniacense). Vale ter em conta que Hugo também incentivou a preservação de manuscritos caros à cultura e à tradição cristã, e incentivou a erudição nos mosteiros afiliados. Hugo morreu em 28 de abril de 1109, em Cluny, à idade de 85 anos, e seu legado é impressionante, seja na cultura de seu tempo, nas ações reformistas e espirituais, seja no valor da cultura, levando a Ordem de Cluny para o seu auge. Hugo foi canonizado em 1120, pelo Papa Calisto II. Sua festa litúrgica é celebrada em 29 de abril.

 

7.   Pôncio de Melgueil (Pôncio/Pons de Cluny) – [1109 - 1122]

§  Pons de Melgueil, abade de Cluny entre 1109 e 1122, surge como uma figura complexa e ambígua, situada no entrecruzamento de linhagem, política e espiritualidade reformadora. Segundo filho de Pedro I de Melgueil e de Almodis de Toulouse, Pons pertencia a uma antiga casa nobre do Languedoc, tradicionalmente aliada às reformas da Igreja, sobretudo à causa gregoriana. Sobrinho e afilhado do Papa Pascoal II (), sua trajetória eclesiástica parece desde cedo marcada tanto pela herança familiar quanto pela proteção papal. Ingressou ainda jovem como oblato na abadia de Saint-Pons-de-Thomières, e professou seus votos na abadia de Cluny, epicentro do monaquismo reformado na virada do século XII.

    Em 1075, é eleito como abade após a morte de São Hugo de Semur (). Como abade, deu continuidade ao projeto monumental de Cluny: a construção da terceira igreja abacial (Cluny III), a expansão da influência cluniacense sobre o norte da França e da Inglaterra, bem como a atuação diplomática na Controvérsia das Investiduras, que ainda tumultuava as relações entre o Império e o Papado. Em 1118, esse conflito reverberou diretamente em Cluny, quando o Papa Gelásio II (), fugindo de Roma diante da ofensiva do imperador Henrique V, refugiou-se na abadia. À beira da morte, Gelásio teria indicado como possíveis sucessores o Arcebispo Guy de Vienne e o próprio Pons. A escolha recaiu sobre Guy, que se tornou o Papa Calisto II (), mas não sem deixar marcas: as relações entre Cluny e Roma sofreram tensões visíveis, sobretudo quando, em 1119, Pons foi publicamente contestado por figuras de peso como o bispo de Mâcon, Bérard de Châtillon, e o arcebispo de Lyon, Humbaud.

    Apesar disso, em janeiro de 1120, Calisto II nomeou Pons cardeal-diácono e concedeu-lhe gestos de prestígio: canonizou seu antecessor Hugo e elevou Santiago de Compostela à dignidade de metrópole – um ato que beneficiava Diego Gelmírez, aliado de Pons. Ainda assim, em 1122, sua posição em Cluny desmoronou. Sob a acusação de extravagância, levantada por seus próprios monges, foi pressionado a renunciar. Convocado a Roma para o Primeiro Concílio de Latrão, abdicou do cargo nesse mesmo ano de 1122. Depois disso, peregrinou a Jerusalém, retornando à Itália para fundar um pequeno mosteiro perto de Vicenza. Em 1123, participou da Dieta de Worms, mantendo-se ativo nos assuntos da Igreja.

    Em 1125, tentou recuperar sua antiga posição em Cluny, mas foi aprisionado a mando do Papa Honório III, em 1126, e ali morreu, encerrando sua vida em circunstâncias obscuras. A versão oficial que justificava sua queda (má administração e luxo) tem sido amplamente questionada por historiadores – entre eles, Pietro Zerbi atribui sua derrocada à resistência episcopal aos privilégios acumulados por Cluny sob sua liderança; já Adriaan Bredero interpreta sua deposição como resultado da ascensão de uma facção reformista interna, que visava aproximar Cluny do rigor cisterciense. Soma-se a isso o colapso financeiro que afetou a abadia após 1111, quando Afonso VI de Leão, rei da Espanha, interrompeu o pagamento do “censo alfonsino”, prejudicando severamente a receita cluniacense.

    Assim, Pons de Melgueil encarna não apenas os dilemas do poder monástico em face das reformas e dos jogos políticos da cristandade medieval, mas também as fragilidades internas de uma instituição que, ao atingir seu apogeu, já começava a dar sinais de crise e transformação.

 

8.   Hugo II de Cluny – [1122]

§ Foi o oitavo abade da ordem de Cluny, tendo sido eleito após a renúncia de Pons de Cluny. No entanto, morreu apenas três meses após a sua eleição.

 

9.   Beato Pedro, o Venerável (ou Pedro de Montboissier) – [1122 - 1156]

§ Foi o nono abade da ordem e reconhecido como um santo desde o seu tempo. No entanto, seu culto nunca foi formalizado, de modo que, apenas recentemente, com o Pio IX, foi beatificado. Foi um dos homens mais influentes em seu tempo, apoiando a Santa Sé, bem como outras autoridades eclesiásticas e seculares. Promoveu o estudo do islamismo, a arte e a cultura. Recolheu em sua abadia o famoso filósofo e teólogo Pedro Abelardo, de quem era amigo. Sua memória é celebrada em 11/05.

 



O Grupo dos Doze Apóstolos e seus Destinos


§    São Pedro (Simão Pedro, também chamado de "Cefas"): príncipe dos apóstolos, Patriarca e Bispo de Roma e fundador do Patriarcado de Antioquia, pregou pelo mundo antigo até chegar em Roma, onde foi martirizado em 64 d.C. Era irmão de Santo André.

§    Santo André: Patriarca fundador do bispado de Constantinopla, foi martirizado em Patros, na Grécia, depois de pregar o Evangelho na região da Ásia Menor, ao longo do Mar Negro e Kiev, em 60 d.C. Era irmão de São Pedro.

§    São Tiago, Maior (Mais Velho): tendo pregado para os judeus, foi o primeiro apóstolo a ser martirizado, o que aconteceu em Jerusalém, em 47 d.C., a mando de Herodes Agripa I. Era irmão de São João, o Evangelista – os irmãos “boanergis”, isto é, filhos do trovão, e filhos de Santa Maria Salomé, esposa de Zebedeu, e uma das três Marias.

§    São Tiago, Menor (Mais Novo): também conhecido como “Tiago, o Justo”, foi o primeiro Patriarca de Jerusalém e foi martirizado em 62 d.C. É costumeiramente identificado como o autor da Epístola de Tiago. Era irmão de São Judas Tadeu, e filho de Santa Maria de Cleofas (Alfeu), que era irmã de Nossa Senhora, e de São Cleofas, que era irmão de São José, de modo que era, assim, primo de Jesus.

§    São Simão Zelote: chamado de “Zelote” um grupo radical em razão de seu zelo, pregou o Evangelho no Egito (com São Marcos Evangelista), na Mesopotâmia e na Síria (com São Filipe e São Judas Tadeu), no norte da África, na Espanha, na Pérsia, na Armênia, tendo encontrado o martírio (foi serrado ao meio) na região da Pérsia, conforme a tradição, mais ou menos à idade de 120 anos.

§   São Judas Tadeu: tendo pregado na Judeia, na Samaria, na Síria com outros Apóstolos, encontrou o martírio na Armênia, região da Pérsia, em 70 d.C., juntamente com São Simão, o Zelote. Era irmão de São Tiago, o Menor, e filho de Santa Maria de Cleofas (Alfeu), que era irmã de Nossa Senhora, e de São Cleofas, que era irmão de São José, de modo que era, assim, primo de Jesus. É o autor da Epístola de Judas. São irmão, Simão de Cleofas também foi martirizado no tempo de Trajano; e, além disso, conta-se que, entre os seus bisnetos, encontra-se Judas, o Ciríaco (Judas de Jerusalém), o último bispo de origem judaica de Jerusalém.

§    São Mateus Evangelista (também chamado de Levi, filho de Alfeu): inicialmente, pregou o Evangelho por 15 anos na Judeia, e, depois, na Macedônia, na Pérsia, tendo sido, finalmente, martirizado na Etiópia, em 72 d.C., defendendo Santa Efigênia da Etiópia. É o autor do Evangelho de Mateus.

§  São Tomé Dídimo (ou Judas Tomé Dídimo): o mais ativo dos Apóstolos, é a única testemunha da Assunção de Nossa Senhora. Depois de pregar pela Mesopotâmia, Síria, pregou o Evangelho na Ásia, chegando até a Índia, lugar em que, finalmente, foi martirizado próximo a Madras, em 72 d.C., pelos hindus. É por isso chamado de o Apóstolo das Igrejas Católicos Orientais, estando por isso vinculado aos cristãos orientais siro-malabar.

§   São João Evangelista: conhecido como o discípulo a quem Jesus amava e o mais novo entre os Apóstolos, foi o único a morrer “naturalmente”, à idade de 94 anos, em 103 d.C., em Éfeso, depois de sobreviver às tentativas de martírio e de ter sido exilado na ilha de Patmos. Conta a tradição cristã que foi responsável pela guarda de Nossa Senhora. Pregou na Ásia Menor, especialmente em Éfeso. É autor do Evangelho de João e de três epístolas (as epístolas paulinas) e possivelmente do Apocalipse. Entre os doze, foi o mais teólogo. Era irmão de São Tiago, o Maior – os irmãos “boanergis”, isto é, filhos do trovão, e filhos de Santa Maria Salomé, esposa de Zebedeu, e uma das três Marias.

§   São Felipe: conta-se que realizou muitos milagres em seu ministério apostólico, tendo pregado em Cartago, no Norte da África, na Palestina, na Grécia e na Ásia Menor onde, em 80 d.C., teria sido martirizado na cidade de Hierápolis, na Frígia.

§    São Bartolomeu (ou Natanael): segundo a tradição, teria pregado o Evangelho até a Índia tendo, pois, encontrado o martírio por enforcamento em Albanópolis (atualmente, Derbent), no Daguestão, junto ao Cáucaso, em 51 d.C.

§   Judas Iscariotes: era pertencente inicialmente ao grupo dos Zelotes e, após entregar a Jesus, suicidou-se em 33 d.C.

§    São Matias: tendo sido escolhido para substituir a Judas Iscariotes no Apostolado, e sendo inicialmente um entre o grupo de setenta e dois discípulos, Matias pregou o Evangelho na Judeia, na Etiopia e na Geórgia. Encontrou o martírio em 80 d.C., tendo sido sepultado em Sebastopólis, na Etiópia.

 

 

Santo do Dia: 26 de maio - São Felipe Néri

S. Filipe Néri, Carlo Dolci


São Filipe Néri (Filipe Rômulo Néri), conhecido como “O Terceiro Apóstolo de Roma” ou “O Santo da Alegria”, nasceu em Florença, no dia 21 de julho de 1515, e faleceu em Roma, no dia 26 de maio de 1622, aos 79 anos. Foi muito amigo de São Félix de Cantalice, e um importante reformador da Igreja no período da contrarreforma.Sobre sua família, seus pais se chamavam Francesco di Néri, que era advogado e trabalhava também como notário, e sua mãe, Lucrezia da Mosciano, que descendia de uma família nobre e que morreu em 1520, quando Filipe era ainda criança. Ainda sobre sua família, Filipe teve duas irmãs, Caterina e Elisabetta, e um irmão, que morreu quando era uma criança.Em 1565, fundou uma comunidade de padres seculares, conhecida como Congregação do Oratório – hoje denominada de Confederação do Oratório – que, em que pese não estabelecer votos de pobreza e de obediência, voltava-se à educação cristã dos jovens e do povo, bem como às obras de caridade.A respeito dos traços particulares, além da sagacidade, distinguia-se por uma qualidade pessoal marcante: a alegria.São Filipe Néri morreu no dia 26 de maio de 1595. Dias antes, o venerável cardeal Barômio, que foi o seu sucessor como Superior Geral da Congressão do Oratório, havia-lhe administrado os últimos sacramentos. O Santo da Alegria foi beatificado em 1614 pelo Papa Paulo V, e canonizado em 1622, pelo Papa Gregório XV.